A FORMAÇÃO DOS LEITORES
“A escola não tem conseguido transformar o alfabetizado em leitor. Para reverter este quadro é indispensável traçar uma política de leitura que não se perca em planos megalômanos.” ( Eliana Yunes- Educadora )
A leitura ainda é o principal acesso para o conhecimento, especialmente no que implica não apenas o desvendar dos signos gráficos mas na percepção crítica e na interpretação da informação.
Como conquistar o aluno para o mundo da leitura?
O desenvolvimento do aluno como leitor exige tempo, dedicação e planejamento, porque não basta pedir ao aluno que leia ou que passe a gostar de ler. É preciso mostrar-lhe que ler é uma atividade enriquecedora e a única arma que ele terá, durante toda a vida, para conhecer o mundo.
Depois que a leitura vira hábito, torna-se incontrolável. Os olhos correm por letreiros, cartazes, placas, rótulos, bulas, bilhetes, anotações, jornais, revistas, livros, cadernos, legendas de filmes e por tudo que tenha letras.
A escola assume, então, um papel de suma importância, sendo muitas vezes, o único local onde o aluno vê livros e pessoas lendo. Cabe ao professor, nestes casos, a tarefa de despertar o aluno para a leitura em que o livro é, antes de mais nada, fonte de prazer, de estímulo à curiosidade, de passaporte ao desconhecido. E para que isso ocorra é necessário que o professor tenha boa formação linguistica , bons conhecimentos de literatura e , principalmente, que goste de ler. Só pode dar amor, quem sabe amar. Só pode transmitir o gosto pela leitura, o leitor apaixonado.
Estratégias:
As estratégias de leitura são procedimentos e os procedimentos são conteúdos de ensino, então é preciso ensinar estratégias para a compreensão dos textos. Estas não amadurecem, nem se desenvolvem, nem emergem, nem aparecem. Ensinam-se ou não se ensinam e se aprendem ou não se aprendem.
É fundamental estarmos de acordo em o que queremos não são alunos que possuam repertórios de estratégias, mas que saibam utilizar estratégias adequadas para a compreensão do texto .
Palincsar e Brown (1984) sugere que as atividades cognitivas que deverão ser ativadas são as seguintes:
1. Compreender os propósitos implícitos e explícitos da leitura. Equivaleria a responder as perguntas : Que tenho que ler? Por que/ para que tenho que lê-lo?
2. Ativar e aportar à leitura os conhecimentos prévios relevantes para o conteúdo em questão. Que sei sobre o conteúdo do texto? Que sei sobre conteúdos afins que possam ser úteis para mim? Que outras coisas eu sei que possam me ajudar: sobre o autor, o gênero , o tipo de texto ?
3. Dirigir a atenção ao fundamental, em detrimento do que pode parecer mais trivial. Qual é a informação essencial proporcionada pelo texto e necessária para conseguir o meu objetivo de leitura? Que informações posso considerar pouco relevantes, por sua redundância, seu detalhe, por serem pouco pertinentes para o propósito ?
4. Avaliar a consistência interna do conteúdo expressado pelo texto e sua compatibilidade com o conhecimento prévio e com o sentido comum. Este texto tem sentido? As idéias expressas no mesmo tem coerência? É discrepante com o que eu penso, embora siga uma estrutura de argumentação lógica? Entende-se o que quer exprimir ? Que dificuldades apresenta?
5. Comprovar continuamente se a compreensão ocorre mediante revisão e recapitulação periódica e a auto-interrogação . Que se pretendia explicar neste parágrafo, subtítulo, capítulo? Qual a idéia fundamental que extraio daqui?Elaborar e provar inferências de diversos tipos, como interpretações, hipóteses, previsões e conclusões. Qual pode ser o final deste romance? Que sugeriria para resolver o problema exposto aqui? Que pode acontecer com este personagem?
6. Elaborar e provar inferências de diversos tipos, como interpretações, hipóteses, previsões e conclusões. Qual pode ser o final deste romance? Que sugeriria para resolver o problema exposto aqui? Que pode acontecer com este personagem?
Collins e Smith (1980) afirmam que é necessário que o professor:
Sirva de modelo para seus alunos mediante a sua própria leitura: leia em voz alta;
Comente as dúvidas;
Busque a participação do aluno. Esta etapa é muito delicada, porque devemos garantir a transferência progressiva da responsabilidade e do controle do professor para o aluno;
Leitura silenciosa, na qual os alunos realizam sozinhos as atividades que, nas fases anteriores, efetuaram com a ajuda do professor: dotar-se de objetivos da leitura, prever, formular hipóteses, buscar e encontrar apoio para as hipóteses, detectar e compensar falhas de compreensão etc.
O que perguntar aos alunos depois da leitura de um livro?
O que pensam a respeito de certas passagens / capítulos do livro;
O que cada um pensou acerca dos conceitos que o livro registra;
Como cada um agiria se fosse o personagem em determinada circunstância;
Peça que cada um contraponha suas próprias idéias expressas pelo autor que acabaram de ler;
Crie perguntas que sempre levam seu aluno a pensar sobre o que leu, a julgar o que leu.
Como conquistar o aluno para o mundo da leitura?
Quando um aluno diz que não gosta de ler, deve-se entender que ele não lê bem, que tem dificuldades de compreender um texto e logo se cansa com a leitura;
Trabalhe atentamente com esse aluno que diz não gostar de ler. Mande-o fazer exercícios de leitura em voz alta sozinho. Insista. Aos poucos, ele melhorará sua desenvoltura na apreensão dos textos. É um trabalho árduo; mas sem ele esse aluno jamais conseguirá progredir;
Procure indicar livros que atendam ao perfil psicológico de seu aluno, de modo que ele se enxergue no texto como se mirasse a própria imagem num espelho;
Para interessar os alunos por poesia, comece com letras de músicas de sucesso. Analise-as como se analisasse um clássico. Em seguida, quando você trouxer para a classe um clássico, o resultado será bem melhor;
Ao recomendar um livro ao seu aluno, “venda-o”como se fosse um publicitário. Desperte a sua curiosidade. Leia um trecho atraente em voz alta . Cite uma passagem que o fascinará.
É fundamental que você leia antes cada livro que indica.
Avaliação
Proponha uma tarefa gratificante para o final da leitura
- Fichamento;
- Prova do livro;
- Dramatização;
- Júri simulado ou debate.
Bibliografia
Lajolo, Marisa – Como transformar alfabetizados em Leitores- Ponto Final, Agosto 1990
Nova Escola- O que a escola precisa saber ( e fazer ) para forma leitores- SP , p.46-51- Abril 1993.
Solé, Isabel- Estratégias de Leitura- Artmed- Porto Alegre,1998
Yunes, Eliana. Por uma Política Nacional de Leitura- Nova Escola- Opinião ,p.58- Dezembro 1990
Silva, Célia Regina da Silva – Transformar alunos em leitores: essa é a missão do educador- Monografia para conclusão da Pós graduação em Metodologia do Ensino de Português 2000
PALLINSCAR A.S., BROWN, A.L. Reciprocal teching of comprehension- fostering and comprehension- monitoring activities. Cognition and Instruction (p.117-175) 1984
Professores: Celia, Maria do Carmo, Humberto, Roseli, Renata.